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Blog de uma curiosa jornalista sãobernardense com influências italianas e gaúchas, encantada com os sabores e as belezas paulistanas. Fã de gastronomia, boa música e otras cositas más.

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Quinta-feira, Janeiro 19, 2012


Elis, que saudade...




Me incomoda o fato de Elis Regina ter partido dessa para melhor 364 dias após meu nascimento. Não só por, como fã, nunca ter assisitido a um show da Pimentinha... Mas porque, todos os anos, na véspera do meu aniversário, sou lembrada disso. Felizmente tenho amigos -como o André Russo- que conquistaram o feito; eles me abastecem de detalhes e sensações que nunca vou saber/sentir. #Elisquesaudade


93780


Publicado por Carox em 6:18 PM



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Sexta-feira, Dezembro 23, 2011


Que venha 2012?



A lei da atração é realmente algo fantástico. A sintonia das vibrações acontece, é real. É preciso perceber as sutilezas, prestar atenção nos cochichos da nossa intuição. Aliás, intuição é algo que quero aprimorar em 2012. Sim, acredito que estamos suscetíveis a melhorar neste aspecto e não tem nada de cabalístico nisso. É uma questão de parar e observar mais as coisas. Muitas não acontecem por acaso, como concluímosfrequentemente. São resultados de, quem sabe, vícios que não reconhecemos em nós. Não paramos para pensar sobre nós. Como os outros nos veem? Como nos achamos que somos vistos? Como queríamos ser?

Eu não paro para pensar sobre mim. Deveria. Fazemos isso (ou deveríamos) com as nossas finanças: poupar para comprar um carro, pagar uma viagem ou a tv nova. Aplicar aqui e ali em fundos com mais ou menos risco, assumir o que virá pela frente... Porque não dar um tempo para pensar sobre o sentido que adotamos e se, mais importante ainda, ele é o melhor? Admito que é difícil traçar uma linha, um objetivo concreto. E se não for o correto? E daí, serei capaz de levantar? Acho que tem a ver com a responsabilidade. Temos que ser responsáveis pelo nosso sucesso e, forçosamente, seremos responsáveis pelo nosso fracasso. Se deixar levar dá a sensação que foi o “destino” que quis assim.

93563

Publicado por Carox em 10:09 PM

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Culinária



Minhas passagens pela cozinha sempre são, de certa forma, estabanadas. Hoje, por exemplo, insisti em cozinhar vagem assim que cheguei da manicure. Resultado: vou passar o natal com o esmalte avariado. Sério, não sou organizada. Sou, na verdade, ansiosa. Ansiosa por fazer, inventar e claro, conferir o resultado.

Hoje fiz uma salada de quinua com vagem, tomate, amêndoas, limão, azeite e curry. Ficou bem refrescante, ideal para um dia em que a temperatura bateu os 34 graus.
Depois das receitas mais “encorpadas”, estou tentando aprender versões mais leves, além da batida salada. Claro que invento bastante coisa com as folhas, mas tem tanta coisa boa à disposição que seria uma injustiça ver a alface monopolizar o pedaço.

Uma coisa que ainda me intriga nesta seara é o tartar ou ceviche. Comer carne moída ou peixe cru temperados ainda não me parece uma ideia fenomenal. O ceviche até é interessante...mas o tartar...hum, não sei.

Na França, o prato é super pedido nos restaurantes. Aliás, quando você pede um bife, o garçom pergunta: grelhado ou tartar? Pode? Pode... ainda vou experimentar.
Essa semana também fiz quibe de forno, que tem menos calorias e vai muito bem com uma salada. É engraçado como a temperatura afeta nosso apetite, não? Acho que nunca mais vou comer uma feijoada nessa toada.

Já as ceias natalinas, não sei porque, me apetecem. Acho que é porque comemos os pratos já de madrugada, quando não está tão quente o clima.
Este ano, não no natal, mas no Ano Novo, vou fazer uma receita nova que aprendi esses dias com uma chef que entrevistei no Antenados: Pera com calda de vinho do porto. Me pareceu simples e refrescante, não?
Boas festas!



93558
Publicado por Carox em 12:33 AM



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Segunda-feira, Setembro 26, 2011


As lições





A vida é uma somatória de informações que fazem sentido em algum momento ou em vários. Basta que as notemos e, mais importante, as coloquemos em uso.

Nas últimas semanas fiz entrevistas com pessoas incríveis. Digo pessoas porque não mais as rotulo apenas pela belo desempenho de ambas na vida profissional e, “por supuesto”, sobre os palcos.
Na verdade, acredito que a dedicação que cada uma imprime notrabalho reflete muito a realização fora da vida social e particular – que, na verdade - também influi no resultado final de ambas.

A jovem e passional Denise Fraga e a sábia inquieta Gloria Menezes são vistas, pela maioria do público, como ótimas atrizes.
Mas são mais que isso.

Tive a sorte de ter a simpatia de ambas e, portanto, me enveredar um pouco mais fundo na superficialidade das entrevistas promocionais de uma peça de teatro apenas.
Posso estar sendo ingênua, mas senti a veracidade em cada palavra e suspiro dessas mulheres; nada mecânico como muitas vezes os artistas se mostram ao responder sempre as mesmas perguntas.

Aos 76 anos, e 52 de profissão, Gloria confessou ser apaixonada por desafios. E, muitas vezes, acreditou que ao encarar um ou outro, poderia por a sua sólida carreira em perigo. "Gosto das coisas difíceis... e de superá-las"



Denise, que é meiga como toda criança um dia foi, é astuta, observadora e apaixonada pelo modo como a comedia ensina os outros a aprender com seus próprios erros.
Na verdade, elas – da maneira que a profissão permite – querem levar conhecimento ao seu público. Na personagem octogenária Moude, que Gloria vive em “Ensina-me a viver” ela quer provar – e prova – que a alegria da vida independe da idade. Que o relacionamento humano é capaz de fazer mudanças inimagináveis. Que todos são capazes de serem mais felizes se mudarem de atitude e o modo com que encaram a vida.

Denise, como Chen-Tê em “A Alma Boa de Setsuan” ou Vicky em “Sem Pensar” faz, de maneira distinta e particular, o público rever seu comportamento (e da sociedade em sua volta) e, quem sabe (acredito que essa seja a esperança dela) ser uma pessoa melhor ao perceber seus erros pela comédia, pelo riso, muitas vezes, sarcástico.

E eu, uma mera interlocutora, observo e aprendo com quem cruza o meu caminho. Nem sempre, acredito, por acaso. Mas a questão aqui é que muitas pessoas cruzam o nosso caminho. Muitas passam despercebidas pela nossa vida com tanto para compartilhar.
Infelizmente, nosso filtro afunilado pelo tempo, calejado pelas decepções e experiências anteriores e, porque não, pela rapidez com que as coisas e o tempo passa -aponta para o que é mais virtuoso aos olhos da maioria.

Talvez por isso eu tenha prestado tanta atenção às lições dessas conceituadas atrizes. Tenho certeza, porém, que ao meu lado – cotidianamente – deixo passar entre os dedos aprendizados gigantescos com pessoas que me cercam ou que esbarro.
Pessoas comuns, sem uma moldura dourada guiando os nossos olhos e nossa atenção.


92640
Publicado por Carox em 12:03 PM



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Segunda-feira, Setembro 05, 2011


O medo.

Por Lia Bock



Achei tão tão tão verdadeiro esse texto. Quantas de nós já não passou por situações idênticas ou, no mínimo, parecidas? Os medos de uns, as certezas de outros... O barato é que aprendemos, querendo ou não, com nossas inseguranças e, por que não, decidimos seguir rumo a Springfield tentar ser feliz?

Leia o texto aqui

92423
Publicado por Carox em 8:38 PM



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Sexta-feira, Setembro 02, 2011


Olhar



Sabe, me identifico bastante com alguns gêneros da literatura nacional. Aqueles que tem Nelson Rodrigues, Aluísio Azevedo, Machado de Assis, Xico Sá e Marcelo Rubens Paiva como integrantes... São estilos e pesos diferentes, claro. Mas todos tem o meu apreço. Abaixo, segue o texto de um deles. As mulheres, aliás, deverão achar mais graça que os homens.

dar: o dilema


Por Marcelo Rubens Paiva


Peço desculpas ao leitor.
Pensei muitas vezes no verbo a ser utilizado no relato abaixo. “Ceder” seria menos ofensivo. Mas “dar” foi exaustivamente utilizado pelas personagens em questão.
É com ele que elas costumam pontuar suas aventuras e segredos.
Numa mesa de bar com três mulheres: uma carioca, uma mineira e uma paulista.
Na faixa dos 30 anos.
Profissionais liberais, que moram sozinhas, donas de si. Rodadas. Com alguns matrimônios interrompidos nas costas.

A mineira teorizou.
Se você sai com um carinha três vezes, terá que dar na quarta.
Seria uma afronta às regras da corte. Afinal, há uma ética no jogo da sedução.
Ela aprendeu com a mãe que é sempre vantajoso para o espelho ter uma legião de admiradores.
O papel de diva a obrigará a ceder aos óbvios interesses masculinos.
Se não, perde-se o trono.
E, para o horror das mulheres, a maior heresia: será malvista.

A paulista contou.
Que no começo do ano saiu com um cara, mas não ficou tão a fim. Não rolou nada. Ele insistiu para que houvesse um outro encontro. Ela dispensou com carinho e educação. Porque sabia que, se desse, ele poderia se apaixonar, e ela não conseguiria encarar tamanho paradoxo. Então, quebrou o encanto já na raiz.
A carioca contou.
Que tem filhos, ex-maridos, dois empregos, o que filtra consideravelmente o assédio, para o bem.
Se depois de todas as informações, o carinha continua a saga da conquista e ultrapassa as etapas da prova, ela dá. Afinal, um cara como esse merece consideração.
E ela não se preocupará com o grau de paixão do admirador, pois os filhos, os ex-maridos e os dois empregos já trarão muito trabalho pela frente, e será natural o termômetro do amor cair ao nível baixo.

Ela dará e se esquecerá naturalmente. E esperará que ele também siga por outra trilha.
As três falavam sem parar o que para elas seguia uma lógica incontestável, comum, apesar do UF de seus documentos serem distintos.
Cigarros e mais chopes contribuíam para a enumeração das convicções femininas.
Contavam casos esdrúxulos com carinhas sem noção, experiências fracassadas, xavecos tolos, excessos improdutivos.

Enquanto eu, pasmo, só acompanhava em silêncio, com muita pena da minha categoria, dos meus camaradinhas, aprisionada pelas garras da lógica feminina, perdida num mar sem vento. Até a carioca contar a sua última bizarrice:
Foi muito cortejada por um músico que não se dispensa. Daqueles que manipulam as palavras e idéias com capricho, para obter o suspiro incontrolável de uma garota carente, viciada em elogios doces e pensamentos bem encaixados.

Carinha com um tremendo prestígio no meio, idealista, que milita em causas justas. Que se educou no exterior. Cuja produção é sempre bem recebida, premiada, elogiada, invejada. E que fala da alma da mulher, consegue penetrar no desconhecido, seduzir e encantar.
Ela saiu com ele duas vezes.

Descobriu, como ela descreveu, que era meio “afeminado”, termo incorreto que só utilizamos quando o grau de álcool no sangue beira o nível de ser repreendido numa blitz da Lei Seca. O que foi uma surpresa, já que o currículo do carinha era digno de matéria de capa da revista Vogue. Aliás, ilustrada por algumas de suas conquistas.
Apesar de não corresponder aos elementos da paixão, nem de estar tanto a fim, acabou vencida pela curiosidade.
Foi a um motel com o músico-poeta, quando, não mais que de repente, o sangue dele parou de fluir nos dutos do desejo, impedindo a vascularização das veias dorsais e da artéria profunda do seu membro.
O prepúcio não se deslocava, nem a glande se expunha, levando pânico ao córtex cerebral dele, induzindo a uma infeliz, incontestável e categórica broxada!

Dilema da minha amiga.
Mesmo não querendo, refletiu diante do fracasso, terei que sair com ele outra vez, não poderei deixar uma mácula no seu inconsciente, sua produção artística será afetada, decairá, seu talento passará a ser questionado, o mercado o considerará o artista promissor que, de repente, do nada, perdeu o eixo.
Ela saiu com ele de novo. Quase por obrigação. Foram ao mesmo motel. Escolheram o mesmo quarto e, no mesmo ambiente, repetiram a coreografia da cobiça. Dessa vez, o chamado corpo cavernoso, ou esponjoso, foi preenchido devidamente pelo pulsar e sangue do macho.
Ele cumpriu o seu papel.
Ela, idem, e disse um penoso adeus, convicta de que a arte não imita a vida.
Neste momento, elas pararam de falar e me olharam indignadas com o meu “não acredito!” Pediram explicações diante da minha exclamação. Queriam minha opinião a respeito do que acabara de ouvir.
Eu disse, sem pestanejar: “Como vocês racionalizam o sexo! Sempre têm explicações, motivos extras. Não é tesão que comanda? Não basta se sentir atraída, ir lá e, como vocês dizem, dar?”

Se seguiu aquele blablablá sonolento das diferenças de gênero, que uma mulher tem que ceder, um homem, apenas penetrar, que uma mulher tem que se abrir, um homem, introduzir, e por aí foi, o mesmo de sempre, apesar de vivermos numa nova era, de a emancipação comandar grandes transformações.
As revoluções não mudaram as explícitas diferenças entre querer e poder.
Aliás, qual homem já não escutou “quero, mas não posso”, e, em seguida, a promessa de quem sabe numa outra ocasião?
Quantos questionamentos, indecisões, cálculos.
O amanhã é muito mais importante para as mulheres do que para nós, machos ligados no aqui e já.
Ainda bem que existe a diferença.
Se não, esta aliança não teria tanta graça.

Narrei a conversa para uma campineira esclarecida, estudante de filosofia da Unicamp, lésbica, conhecedora do gênero; já foi casada com outra garota.
“Ah, mulher é tão maternal…”, justificou.

E contou que estava numa festinha de universitários esclarecidos de Barão Geraldo, louca para fumar um baseado. Descobriu que um carinha tinha.
Foram até o carro dele, cometer o ato ilícito. No caminho, ela pensava, “terei que dar”. Seria uma troca de gentilezas.
E foi o que aconteceu.

Mulheres…


92395
Publicado por Carox em 3:18 PM



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Segunda-feira, Agosto 29, 2011


Aladim paulistano





Dia desses conheci o Arabia, restaurante de culinária libanesa e de tradicional cozinha árabe, tradicional mesmo.

O cardápio era conciso e sem grande criatividade. Meu espírito aventureiro, confesso, franziu a testa. Estava disposta a ter novas experiências. Aliás, quando não estou? Para isso que serve os restaurantes... pra mim!
A recepção foi boa e simpática.

Les Bretèches 2007 château Kefraya foi a escolha exótica do dia. Afinal, nunca tinha provado um vinho libanês. E, nesses casos , é melhor abraçar o capeta. E vou dizer, gostei do exemplar.

A entrada.... ah, a entrada. A melhor coalhada seca que já provei estava no Arabia e eu nem imaginava. Nem um pouco ácida, leve, saborosa, emulsionada, perfeita. A segunda surpresa foi a esfiha aberta folhada de carne e especiarias. Que coisa era aquilo. Tinha curry, açafrão e vários outros temperos que não consegui identificar. Foram duas.

Depois de um aperitivo desses, me empolguei. Que venha o prato principal: Fiquei com a alcachofra recheada com carne, coalhada e hortelã acompanhada de arroz com aletria.

Meu par pediu o Ossobuco de cordeiro com pistache, amêndoas e snoobar.

O meu era bom, mas sem surpresas. Já meu querido par se surpreendeu com o prato. Primeiro porque apareceu na mesa carré de cordeiro, não ossobuco. Estavam muito mal passados também. O garçom então explicou que a opção tinha acabado e, excepcionalmente, serviriam naquele dia o carré. Hum. Podiam ter avisado antes para evitar que o prato fosse considerado um engano do garçom.

Depois da refeição, o olhar do meu “partner” compartilhava a ideia do meu. Mais uma esfiha folhada? Hum, melhor não.
A sobremesa foi boa, digna de registro, mas sem grandes exaltações.

Um garçom (que ideia boa) traz uma bandeja com todos os doces típicos com pronúncia complicada. A tática evita as legendas e explicações para cada especiaria.
Resultado: não tenho noção do que comi, mas tinha figo em compota e sorvete. Honesto. Tinha um outro de gergelim com calda de flor de laranjeira. Exótico.

http://www.arabia.com.br/


92340
Publicado por Carox em 7:56 PM

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No ritmo



Realmente parecia um bom dia. Todos os sinais anunciavam uma manhã produtiva de segunda feira. O sol agradável entrando pela janela da sala pelas cortinas de algodão dando um toque suave ao apartamento. Os sabiás do bairro se matavam de tanto entoar seu canto de acasalamento... desde às 2 da manhã. Lindo, contagiante, vigoroso. Olhei, então, para os meus fones novos. Sim, hoje seremos mais uma vez cumplices de um ritual estranhamente contagioso. A corrida.

Depois da aula de yoga, com Phillip Glass lá estava eu pronta e alongada para encarar o que meu fôlego permitisse. A regra era não olhar para o relógio, mas correr, ao menos, 2km.

A pasta “Correndão” foi selecionada no Mp3 player. Volume: máximo. Música 1: Once, do Pearl Jam.
*Nota importante: acelero 1x a velocidade das músicas graças a um recurso espertíssimo do meu aparelho. Elas ficam eletrizantes.

O som pesado e cadenciado é o melhor para iniciar o treino. No playlist, bastante eclético, busco selecionar que me “motivem”, “mexam” comigo de alguma forma. Sério, Once dá uma vontade danada de correr. E The Trooper do Iron então. Essa é daquelas que fazem você correr além da velocidade permitida para os seus pulmões.

Marieta ou Candela, do Ibrahim Ferrer, por exemplo, salta minha veia latina e me faz correr no ritmo da música. É preciso dizer que sempre “corro”, se me permitem o trocadilho, o risco de sofrer um acidente ao me exercitar com uma salsa.
Meu ranking ainda tem Gnarls Barkley - Going On e Run.

Do lado mais pop, Kings of Leon - Use Somebody também serve.

Para aumentar meu repertório, comecei a pesquisar o que outros corredores colocavam no playlist. Para minha total decepção, a maioria sugeria músicas de Lady Gaga, David Guetta e coisas do naipe que, sinceramente, tem o efeito contrário que procuro quando corro: #boring .

Outra que dá um gás danado é Rocking with Mocotó ou Samba - Dizzy Gillespie e Trio Mocotó

Importante lembrar que “acelero” as músicas para a cadência sincronizar com a minha corrida, meu passo. O resultado não poderia ser melhor.
Foram quase 3km hoje. Resultado muito bom para uma talassêmica contundida iniciante. Dia 11 de setembro tem competição à vista...

Enquanto isso, sigo minha “caminhada” por músicas empolgantes. Aceito sugestões, inclusive!


92325
Publicado por Carox em 6:57 PM



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Quinta-feira, Maio 26, 2011


O pão



Não é segredo para ninguém que aprecio a culinária, a alta e a baixa gastronomia por assim dizer, cuja classificação de ambas pode variar bastante de acordo com o perfil “gustativo” de cada um.

Sou uma entusiasta da culinária fresca, moderna e ousada... mas não dispenso os tradicionalismos e tradicionalistas tão importantes para a base de qualquer ramificação.

Gosto muito do trabalho que o cozinheiro Alex Atalla, tão comentado hoje em dia, tem exercido. Aliás, devo conhecer o seu restaurante, DOM, no mês que vem. Enquanto isso, me entorpeço vez ou outra com o seu seguidor mais fiél, o Mani, dos chefs Daniel Redondo e Helena Rizzo.

Já falei aqui da minha primeira experiência no local. Na segunda, repeti a salada e arrisquei um atum mal passado com molho de amora e cuscuz de quinua. Perfetto!

Hoje, ouvindo o chef István Wessel na BNFM, descobri o segredo das crostas crocantes de carnes assadas (pão italiano moído com especiarias e manteiga) que tanto me intrigava.
E ó, dá um trabalho danado.

Realmente, algumas coisas que não valem a pena serem reproduzidas em casa, especialmente no dia a dia quando não muito tempo (nem a diversidade do Pão de Açúcar à mão) para se dedicar ao menu. Por isso mesmo escolhi o sábado para experimentos envolvendo farinha, fermento e água.

À receita, do segundo livro da coleção da Folha sobre clássicos da cozinha italiana, acrescentei nozes e grãos como linhaça e semente de girassol ... para dar um toque.

Pela foto do tutorial, a massa havia ficado perfeita depois de sovada. Agora ,era esperar pela ação do fermento. Uma hora e pouco depois, o pão tinha inchado... bonito, macio, branquinho.

Como tinha um compromisso marcado, deixei a tarefa de assar os 3 filões com o marido. O livro dizia ‘tempo médio: 40 minutos”.

Cheguei duas horas depois ansiosíssima pelo resultado. Antes de chegar à cozinha, uma explicação me foi dada ainda no corredor: “Ficou uma hora e meia. Estava com cara de cru”.

Meio desconfiada, quis mais detalhes. “É, tava bem branco. Então, além dos 40 minutos, deixei eles mais uma hora e meia no forno”. Oi??? Corri para a cozinha já cabisbaixa, imaginando o resultado desastroso do excesso de calor.

Ao vê-los, arqueei uma das sobrancelhas. Não pareciam assim tão ruins. Com uma faca comum, tentei cortar uma fatia. Tive de trocar a faca por uma mais potente. Assim, cheguei ao miolo do filão.

As nozes e os grãos estavam lá, saborosos escondidos em meio a uma crosta mais firme que as placas tectônicas da Terra. Só me restou, então, tirar toda a casca rochosa dos dois pães maiores e descartar o pequeno, já que não precisava de uma arma em casa (sério, aquilo podia machucar seriamente alguém).

No café da manhã dominical, lá estavam eles... deformados e caseiros servidos com margarina e geléia ao lado da xícara com café com leite. Senti orgulho dos dois... depois de tantas dificuldades, lá estavam eles cumprindo, enfim, sua missão.


91332
Publicado por Carox em 7:45 PM



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Segunda-feira, Maio 23, 2011


Meu meio social


Sabe do que eu gosto mais? Do “nosso” meio social. Explico.
Nasci e cresci em um bairro pacato e residencial onde chamava todos pelo nome e a ação de ir à feira aos domingos era quase um acontecimento, sinônimo de reencontros e conversas de boteco.

Cumprimentar as pessoas do portão de casa até a barraca do alface é um feito realmente interessante. Tantos antigos colegas de classe, da rua, da balada... e com elas, suas histórias; digo, nossas histórias.

Tem a mãe do Fulano, o tio do Ciclano, a irmã do Beltrano, o dono da padaria, a funcionária do açougue, o balconista do armarinho, a moça da loja de ração, a enfermeira do postinho, o maconheiro da rua debaixo, a manicure... todos coadjuvantes daquele meio, do meu meio social.

Eu, particularmente, me sinto acolhida em lugares assim. Pouco me importa ou incomoda os possíveis comentários que suscitem em rodinhas pela minha passagem na calçada. Sim, porque eles sempre existem em lugares com esse perfil, pequenos e cheio de futriqueiros.
Aliás, lugarejos assim tem uma quantidade razoável de “consultores” – moradores mais bem informados do que a maioria sobre detalhes da vida dos vizinhos.

Na minha antiga rua ainda mora uma mulher conhecida carinhosamente como “Plantão”.
Quem tá namorando, quem tem amante, quem engordou, quem está tomando remédio para emagrecer, quem está endividado, quem vai fazer operação de redução de estômago (e como você também pode fazer a sua pelo SUS sem pagar nada por isso), quem trocou de carro, quem tá viciado em bingo, quem chegou bêbado em casa ontem...
Quando ela abria a boca pra atualizar o “noticiário”, uma amiga e eu reproduzíamos a vinheta da Globo para notícias excepcionais na programação só de pirraça: Tã-tã-tã-tã-tã-tã-tã-tã-tã. Tã-tã-tã-tã-tã-tã-tã-tãããããã.
Ela reagia: “Já acabaram? Agora deixa eu contá!”.

Viver muitos anos na mesma casa também traz comodidades como saber onde você pode comprar o que precisa e até que horas esse comércio fecha. Folha sulfite? Tem três papelarias na avenida, mas só uma delas vende a granel... e você tem que ter sorte para ser atendido pela funcionária boazinha. Se o dono está, a moça é obrigada a vender o pacote inteiro.

Outra coisa bacana é o conhecimento histórico: onde hoje funciona um asilo, já abrigou um hotel, que também tinha um restaurante. Eu costumava ir lá com meus pais quando era criança. Nos fundos tinha uma piscina que era apedrejada por pura vingança. Meus irmãos e eu erámos proibidos pelos velhos de mergulhar nela depois do jantar.

Uma loja de informática ocupa o lugar de um restaurante com fachada marrom que aguçava minha fome na volta da escola. Sabia o prato do dia pelo cheiro.

E a minha escolinha? Maternal, jardim I, jardim II e pré-primário foram cursados em um lugar mágico que existe até hoje na rua Etran. Em uma reforma não muito recente, a árvore que adornava a entrada do local foi substituída pelo nivelamento da calçada. Algumas das professoras, que trabalham na instituição desde aquela época, ainda se lembram do drama do meu último dia de aula na escola. Gostava tanto de lá que me agarrei no tronco da árvore da portaria e só saí depois da diretora Rita e da professora Ana Amélia me darem passe livre para visitar a escola sempre que quisesse. Ai que saudade. Isso já faz 25 anos, mas eu lembro como se fosse hoje.

Mudar de casa, bairro, cidade ou estado é muito difícil. Principalmente se for para uma metrópole como São Paulo, que tem seus encantos, claro, mas falta o que eu chamo aqui de “comadrinhagem” ou ainda de romantismo.

É por isso que até hoje, três anos depois de saído da casa dos meus pais, ainda mantenho meu domicílio eleitoral no mesmo lugar. Sim, porque a eleição, nesses lugares, é uma festa à parte. Pelo menos para mim.

É durante o pleito que acontece um dos eventos mais divertidos do meu bairro. Uma espécie de ida a feira multiplicada por 10.
Além de poder visitar o local onde estudei o ginásio e passei boa parte da minha adolescência (e, daí, várias boas lembranças vêm à mente), eu encontro um número bizarro de pessoas que seria impossível em qualquer outra ocasião.

Em oito horas, todos os velhos e atuais moradores do bairro são obrigados a estarem lá, no mesmo lugar, ao mesmo tempo. Pra mim, como se é de prever, é uma alegria rever a inspetora da escola, agora com cabelos brancos; O ex-colega de classe trabalhando como mesário; O carinha do colegial que jogava vôlei no recreio e que você achava bonitinho... e que hoje, além de careca, tem três filhos; a sua amiga inseparável que mudou para a Europa em algum momento da nossa juventude e agora voltou a morar na rua dos meus pais....

Mantendo uma certa rotina diária, já conquistei alguns conhecidos no novo bairro. Porém, sem históricos. Dou bom dia para o vigia da rua, para a caixa do supermercado, cumprimento o chaveiro, troco idéia com o peixeiro (que é bastante simpático), até engato uma conversinha rasa com a caixa da padaria e me estendo um pouco mais com as senhorinhas da academia.

Será que nos próximos 25 anos chegarei perto da convivência e do “meio social” do antigo reduto?



91285
Publicado por Carox em 8:51 PM



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